As pessoas são educadas para reprimir a afetividade e desenvolver a intelectualidade. Porém, o excesso de intelecto coíbe o desenvolvimento emocional. Normalmente, a criança não recebe suficiente amor dos pais. Isso gera carências afetivas, que inconscientemente vão afetar seu comportamento emocional quando estiver adulta. Muitos pais dão grandes demonstrações de amor e de paparicos, porém, isso pode ser uma compensação exagerada, uma espécie de desculpa pela incapacidade de amar com maturidade. Cabe aos pais a responsabilidade de proporcionar aos filhos a devida orientação e segurança, o que exige que tenham autoridade. Existem pais que jamais ousam punir não permitindo com isso a percepção de limites; e outros já são severos demais, exercendo sua autoridade pela dominação, amedrontando a criança, tornando-a submissa, inibindo o desenvolvimento de sua individualidade. Esses dois tipos de pais são deficientes em sua capacidade de amar e educar, e suas atitudes erradas, quando absorvidas pela criança, são fonte de mágoas e insatisfações. Por outro lado, é importante dosar o afeto com o limite para desenvolver na criança a segurança de estar sendo amada ao mesmo tempo em que educada.

A inconsciência do conflito entre o anseio pelo amor perfeito dos pais e o ressentimento contra eles, irá, posteriormente, na fase adulta, reproduzir uma situação da infância para corrigi-la. E a forma mais freqüente de tentar remediar a situação é a escolha de parceiros no amor. Inconscientemente vocês escolherão um parceiro com o aspecto do genitor particularmente falho em termos de afeto, amor real e autêntico. Mas, também buscarão no parceiro, algum aspecto do outro genitor que chegou mais perto de atender as suas necessidades. Assim vocês buscam os pais novamente de uma forma sutil, nem sempre fácil de detectar, nos parceiros conjugais, nos amigos ou em outros relacionamentos. Subconscientemente, ocorrem as seguintes reações: a criança que há em vocês não consegue esquecer o passado, não consegue assimilá-lo, não consegue perdoar e, portanto, sempre cria condições semelhantes, tentando levar a melhor, para finalmente dominar a situação, em vez de sucumbir a ela. Porém, geralmente isso trás como resultado apenas repetição de padrões emocionais infantis, ao invés de crescimento. E o amor não pode vir desse jeito. Só quando vocês se livrarem dessa eterna repetição, e que já não choram mais para serem amados pelos genitores. Em vez disso, procuram um parceiro ou outros relacionamentos com o objetivo de encontrar a maturidade que realmente necessitam e desejam. Para superar o processo repetitivo é necessário sentir outra vez a dor da criança chorona do passado, mesmo que essa criança também fosse feliz. Essa infelicidade fundamental precisa vir à consciência agora, caso vocês queiram continuar se desenvolvendo interiormente. Agora é preciso considerar a dor da criança, com a consciência e compreensão adultas já adquiridas. Para isso é importante deixar de racionalizar e culpar os outros ou as situações, e deixar vir à tona os sentimentos de raiva, ressentimento, ansiedade e frustração. Por trás de todas essas reações esconde-se a dor de não ser amado. Ao não pedirem mais para serem amados como uma criança vocês estarão igualmente dispostos a amar.

O amor maduro significa amar os outros apesar de seus defeitos, conhecendo-os, vendo-os e não os idealizando. Os relacionamentos humanos têm um aspecto subjetivo (ou oculto, aquilo que ainda não conhecemos de nós mesmos e que, geralmente tem conotação emocional). E um outro aspecto objetivo (ou percebido, e que já conhecemos em nós, e em maior parcela, é mais de ordem racional). Não é sempre e nem é fácil a cada um dar-se conta da própria subjetividade. Desse modo, cada um enxerga no outro aquilo que não consegue enxergar em si mesmo (é como se o outro fosse um "espelho"). Por isso, quanto mais inconscientes e desarmônicos, menos objetividade na relação e maior projeção de seus defeitos nos outros, principalmente, no parceiro. Dificultando e percepção das qualidades destes. É certo que as mudanças de comportamento produzem desconforto inicialmente, e é necessário persistência para desenvolver comportamentos mais eficientes. Mas, uma das melhores oportunidades para nos desenvolver emocionalmente está na relação familiar, seja com os pais, irmãos, parceiros ou filhos. Mas, para que essa relação seja harmônica e construtiva é importante superarmos nossas tendências de sermos rigorosos demais com os defeitos dos outros quando não nos sentimos aceitos, compreendidos ou amados. E também, superarmos as tendências à idealização de nossos familiares, pelo fato destes nos amar. Pois isso apenas revela o orgulho e a insegurança, que estão por trás da incapacidade de amar com maturidade.

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